Cartinha do CEO - API4COM - 06/03/26
Fala pessoal, beleza? Finalmente vou estrear a mensagem semanal que o Bruno (Fundador e CEO da Feedz) me recomendou fazer pra vocês. Vale tirar uns 10 minutos pra ler isto aqui.
Quero compartilhar com vocês dois temas e dois exercícios (um sobre cada tema):
1 - O que tem ocupado minha cabeça (uma das coisas haha)
Um dos dilemas que vivemos nesse último ano foi o da intensidade versus limitação.
Em muitos momentos, eu puxei a gente pra fazer mais ou pra fazer diferente. E em muitos momentos só não dava, por uma infinidade de motivos: desde a coisa só precisar de mais tempo até não fazer sentido mesmo.
E esse conflito é cruel porque as duas pontas são nocivas pra todos nós. Num extremo a gente tem a complacência de qualquer coisa serve, e no outro tem uma dureza “militar” que espreme, aperta, machuca.
Compartilho aqui algo que vai além do meu papel de orientar a cultura, de forma que a gente como coletivo lide com isso de forma saudável. São meus aprendizados; então convido todos a contribuírem também individualmente, seja se entendendo (e se melhorando) ou estendendo a mão pro coleguinha.
Quando a gente pensa nessa versão individual, vejo dois extremos:
- Síndrome do impostor: “não sou bom o suficiente”.
- Otimismo inflado: “eu que sei”.
O desafio é simples de falar e difícil de viver: entender o quão bom a gente realmente é. Nem se achar melhor do que é. Nem se diminuir e deixar oportunidade na mesa.
E isso não é sobre “nosso lugar no mundo”. Ninguém é absolutamente foda ou absolutamente ruim. É sobre nosso lugar em cada assunto.
- Em qual tema eu sou forte?
- Em qual tema eu ainda sou iniciante?
- Quando é hora de ouvir?
- Quando é hora de falar?
- Quando eu ensino?
- Quando eu aprendo?
O que tenho aprendido é que o que está sendo exigido da gente não é talento, genialidade ou qualquer aspecto técnico.
É coragem. É vulnerabilidade. É disposição.
Coragem de olhar no espelho e admitir: “achei que estava arrasando, mas estou mandando mal”. E também coragem de dizer: “eu evoluí, eu mandei bem nisso aqui”. Pode parecer estranho eu dizer que se achar bom requer coragem, mas eu explico:
Eu sempre tive uma identidade de “esse guri vai dar bom”. E isso me fez viver um ciclo no qual todas as vezes que eu estava prestes a cruzar a barreira de promessa pra realidade, eu me sabotava. Porque eu não sabia ser bom, eu só sabia ser o “guri que um dia ia ser bom”.
Ano passado, por uma série de motivos (inclusive porque eu tô véio e cansado das minhas próprias “palhaçadas”), eu sabia que eu não podia mais ser a promessa. Tava na minha vez de ser bom. Só que isso dá medo.
Eu estava com esta carta semanal pra entregar desde dezembro. Sabe por que eu não fiz ela até agora?
Medo.
Enviar essa carta é uma tangibilização de agora eu “fui pro turma dos grandes” (como diria meu compadre). E eu tava confortável na posição de ficar só do lado do Diniz enchendo o saco haha.
Em resumo: entender que eu sou bom, pelo menos o suficiente pra estar nessa cadeira, me exigiu coragem.
E enquanto eu não tive essa coragem, eu não tava entregando o meu melhor; nem pra mim, nem pra você e nem pra gente, como comunidade, como time.
Então, pra além da reflexão, quero te fazer um convite:
// Exercício pra gente se entender melhor
Geralmente a gente olha o mundo como binário. Não é “sou foda” ou “sou péssimo”; o mundo é muito mais complexo do que isso. Quase nada na vida é binário. Me ajudou muito a ver a vida mais como um espectro.
✏️ Desenhe uma linha e escolha uma qualidade ou habilidade sua. Em uma ponta está o melhor do mundo nesse tema. Na outra, o pior.
Lembra da curva da distribuição normal que mostrei no começo do ano?

Pense nessa lógica.
Primeiro a gente entende que quase nunca vai estar em uma das pontas, mas a gente pode tentar traçar um risco onde a gente acha que é o nosso lugar.
Reflita sobre isso e faça uma linha que te representa.
🙋 Depois (sem mostrar onde você se colocou) peça para alguém marcar como ela te percebe na mesma linha.
Pode ser uma pessoa amiga, líder, liderada, tanto faz. Inclusive pode ser uma habilidade que não tem nada a ver com o trabalho.
- O objetivo é o de construir uma visão mais sóbria de si mesmo, sem exageros (nem positivos nem negativos). Assim a gente consegue correr atrás do que precisa de verdade e também se orgulhar do que temos de bom.
2 - Pra onde estou olhando?
Estamos indo bem.
Apesar de fevereiro não ter sido tão bom quanto gostaríamos, ainda parece que estamos em linha com a neutralidade de caixa. Mas isso me colocou pra pensar:
🤔 Quanto do nosso crescimento veio de aumento de preço e quanto foi crescimento orgânico de fato?
Eu nem comecei a analisar nada sobre isso ainda, e isso não é um ponto pra deixar ninguém preocupado. O cenário ainda é o mesmo que a gente vem falando nas últimas semanas.
Estamos bem em aquisição. Ainda temos desafios relevantes em retenção.
O que eu me peguei pensando é como o fato de estarmos numa rota boa pode convidar a gente a achar que “já entendemos”.
Esse “já entendemos” pode implicar em a gente talvez começar a aumentar a velocidade de execução, mas perder oportunidades de aprendizado e reflexão.
💭 “Já que tá dando bom, bora acelerar no que a gente fazendo.”
Pra mim, isso pode ser uma armadilha. Martelar é essencial. Tudo o que construímos até aqui foi com gente trabalhando duro, fazendo o básico bem feito. Mas em uma empresa de tecnologia, tudo muda muito rápido.
Muitas das nossas grandes viradas vieram porque alguém parou e perguntou:
💬 “Por que isso está acontecendo?”
Então aqui a minha hipótese é:
⚖️ Existe algum equilíbrio perfeito entre o tempo afiando o machado e o tempo dando machadada. Acho que se a gente for um totózinho pro lado de afiar o machado, seremos uma empresa melhor.
Aqui eu tô falando principalmente com a galera da ponta mesmo: VictorS, LeoS, JulioS, MateusS, JanaS, ThaisS, RenatoS, PauloS; galera que eu acabo não lidando tanto quanto gostaria no dia a dia.
Acredito muito em cada um de vocês e gosto de repetir o quanto eu já consigo olhar pro futuro e ver todo mundo muito melhor; com mais condição, mais maturidade, melhor posicionado na carreira.
E eu acho que a galera que conseguir construir esse mix bom de “refletir/aprender” com “executar” vai se dar melhor ainda.
// Exercício pra gente ficar mais crítico
💭 Uma vezinha por dia, nos próximos, escolha uma coisa que aconteceu. Nem precisa ser da empresa.
E se pergunte:
💬 “Por que isso aconteceu desse jeito?”
Invista cinco minutinhos pensando nisso. Não precisa gerar plano. Não precisa virar projeto.
- O objetivo é fortalecer a musculatura crítica.
Qualquer ganho que a gente possa ter como empresa (que eu acredito muito que vai vir) = pra mim é bônus.
Por fim, tanto sobre a mensagem quanto sobre os dois exercícios, a coisa que mais importa para mim é a percepção de vocês.
Me ajudem a entender melhor a minha posição naquela “linha”; me ajudem a entender o que tá bom, o que tá ruim, se essa carta é útil, chata, irrelevante ou transformadora.
Muito obrigado pela compreensão, esforço e parceria. Mais um tijolinho na nossa construção.
Bora! 👊
