Cartinha do CEO - API4COM - 17/04/26
Fala galera, beleza?
Mais uma semana, mais uma cartinha. Bora?
O que está na minha cabeça?
- Percebi várias ineficiências nossas por “esquecermos” do objetivo de uma reunião.
- A masterclass do Bruno sobre IA; acho que ainda temos espaço pra ser 10x mais produtivos.
- Estruturação do time de desenvolvimento da API4COM.
- Revisão do código completo do software com IA.
- Alavancas pra melhorar nossos resultados de vendas.
“Qual é o objetivo disto?”
Teve uma coisa que se repetiu em três contextos diferentes nessa semana, e só no terceiro me caiu a ficha de que era a mesma ferramenta.
Primeiro, no incidente. Em alguns momentos a gente tava naquela camada de “tamo investigando, tamo vendo” (se batendo sem progredir). O que destravou foi parar e perguntar “qual é o objetivo agora? Testar a coisa X”.
Aí, numa conversa com o André Dias sobre formato de documento, gente ficava discutindo “formato X ou Y?” até eu perguntar: qual é o objetivo desse documento? Não importa ter um padrão bonito. Importa qual formato atinge melhor o objetivo.
Reconectar com o objetivo remove o inchaço. Fazer isso garante que cada minuto nosso gere impacto positivo.
É a mesma ferramenta de realinhamento que falamos no evento do Q2 - só que agora aparecendo no dia a dia.
A IA bajuladora e o nosso julgamento
Uma das coisas que mais me incomodou foi o quanto a IA se esforça pra dizer que a gente é lindo, cheiroso e que o plano tá maravilhoso. Se você fizer um plano ruim, ela também vai elogiar. Ela não foi treinada pra ser crítica - foi treinada pra agradar.
Ou seja: o julgamento de “o plano tá bom” continua sendo nosso. E a única forma de exercer esse julgamento é ter muito claro qual é o objetivo e o que você tá tentando resolver. Sem isso, a IA vira espelho de vaidade - e você sai de lá achando que fez obra-prima (quando na real só fez um rascunho).
É sobre responder pra mim mesmo “o que eu quero resolver aqui”. É fácil se perder resolvendo um monte de detalhezinho que aparece, mas que no fim é só perda de tempo.
Como eu tiro a prova real a cada etapa pra descobrir se estou na direção certa? Respondendo:
1 - Qual é o objetivo do projeto?
2 - Estou mais próximo de completar meu objetivo depois desta etapa?
O que o Bruno disse que explodiu minha cabeça
Na masterclass que participei, o Bruno soltou uma provocação:
Imagine um produto com 500 mil linhas de código. Quem é melhor pra ler, entender a estrutura, documentar e avaliar esse software: um ser humano ou uma IA?
Uma IA faz isso numa velocidade que ser humano nenhum alcança. Vai errar aqui e ali, tudo bem - mas no agregado economiza um oceano de tempo.
E aí veio o tapa: por que a gente já não fez isso?
A gente tinha um problema antigo de topologia: falta de clareza sobre alguns espaços do nosso software. Toda vez que eu puxava “vamos desenhar a topologia”, a resposta era a mesma: “cara, nossa estrutura é complexa, cheia de peças móveis, é complicado”. E essa resposta não tava errada.
Pra testar a tese do Bruno, pedi um help pro Michel: baixamos um zip de cada serviço, joguei tudo numa pasta e comecei a mastigar com IA.
Em uma noite eu respondi perguntas sobre o produto que, se eu perguntasse pra um humano, a resposta honesta seria “deixa eu dar uma olhadinha” - o que poderia demorar minutos ou dias. A IA também dá uma olhadinha; só que a olhadinha dela demora segundos.
Estamos com um plano muito maneiro de documentar nossa estrutura a partir dessa provocação.
A “corrida do ouro” com ouro pra quase todo mundo
O Bruno falou na masterclass que a gente tá indo pra um mundo de muita abundância. Ontem, investigando o código, caiu a ficha do que isso quer dizer: a cada três semanas eu me choco de novo com “olha o salto absurdo que a gente deu”. Ontem mesmo saiu o Claude 4.7.
A sensação é de “corrida do ouro” - só que, pela primeira vez, parece ter ouro pra quase todo mundo. A principal coisa que se pede é disposição pra cavar. E cavar, aqui, é interagir com a IA, discutir, passar sufoco, testar, aprender a usar.
A parte incômoda: IA não multiplica todo mundo igualmente
Essa é a hipótese que me incomodou.
O aumento de produtividade que a IA potencializa não é distribuído igualmente. Em várias instâncias, ela vira um multiplicador de distância.
- Quem já era bom tecnicamente, pra frentex, e agora se esforça pra aprender IA. Essa pessoa é multiplicada por dez.
- Já quem era médio-mais, nota sete, e não entrou nessa. Essa pessoa só é multiplicada por dois.
Resultado: com o aproveitamento da IA, essa lacuna só aumenta. A diferença entre um profissional bom e um mediano pode virar um abismo.
E eu sei que isso cheira a discurso apocalíptico tipo “todo mundo vai morrer, todo mundo tem que usar IA”. Não é isso.
Eu acho que as pessoas vão sobreviver: o mundo é mais complexo que a catástrofe que vendem, e produtividade não é tudo.
Temos uma oportunidade gigantesca na mesa, e eu tô enchendo o saco com isso porque quem agarrar vai dar um salto absurdo na carreira.
O que isso tem a ver com vocês
Meu grande objetivo é a transformação da vida das pessoas. É o que eu vivi na TotalVoice e o que eu quero replicar na API4COM.
Como empresa, podemos construir juntos desenvolvimento de carreira e qualidade de vida.
Usar a IA não é uma adição pro dia a dia. Usar a IA multiplica o que estamos fazendo.
E esse impacto pode ser muito desproporcional.
Quem não é nerd não tem noção entre a diferença entre adicionar e multiplicar. Saca só:

Como sempre, conto com os feedbacks de vocês!
Mais um tijolinho na nossa construção,
Denófrio.
