Cartinha do CEO - API4COM - 30/04/26
Fala galera, beleza?
Mais uma semana, mais uma cartinha. Bora?
O que está na minha cabeça?
- O onboarding que o time de produto tá refatorando tá ficando muito foda. Vai destravar resultado tanto pro cliente quanto pra gente.
- O time desbloqueou um novo nível de uso de IA pra desenvolver, e o Rodrigo tá puxando isso bem. Exemplo recente: a galera refez nosso webphone numa mini hackathon de 1h30. Ficou massa pra caralho.
- Várias pessoas estão vivendo a própria troca de faixa depois do evento trimestral. Vocês estão na minha cabeça e no meu coração - e tamo trabalhando junto pra cada um se desenvolver.
- Tô entrando de férias (04/05 a 15/05) pensando bastante no “André pré” e no “André pós”.
Reflexão da semana: minha troca de faixa
Tive mais uma mentoria com o Bruno essa semana. A galera vai “cansar” de me ouvir falar dele (e eu vou continuar falando).
A gente tocou em uma preocupação minha: até que ponto o CEO que eu sou atende as necessidades da API4COM?
- Por que tô confortável até aqui
Boa parte vem de eu estar conseguindo tocar isso vem de eu ser um “repetente”, de “ter repetido a faixa branca” algumas vezes.
Tive a sorte de trabalhar em empresas de tecnologia que crescem rápido 3 vezes: TotalVoice, Simples Dental e Feedz.
Participei do começo da jornada dessas empresas (geralmente de 20 até uns 70 colaboradores) e aprendi muito sobre os padrões do que funciona e do que não funciona nessa etapa do crescimento.
Mas como em todos os casos eu acabei saindo antes de ir pra próxima fase, me sinto passando pela mesma faixa várias vezes, tipo um “faixa branca premium”.
O que pra muita gente é problema novo, eu já vi muitas vezes. E aí acaba aparecendo que eu “sei o que tô fazendo”.
- O problema é a próxima faixa
Só que agora a gente tá indo pra um lugar onde eu nunca fui. Faixa branca/azul (sei lá qual a cor). Eu já consigo resolver os problemas de faixa branca com a “mão nas costas”, mas eu nunca cheguei na parte de resolver os problemas da próxima faixa.
A pergunta que ficou martelando:
Será que eu tenho o que é preciso? O que vou precisar desenvolver? Atrás do que vou precisar correr? Dá pra chegar lá no tempo do plano que a gente tem?
- O parêntese: minha startup que quebrou
Parte dessa insegurança vem de trauma real.
Quando tive minha empresa, fui muito inspirado pelo Théo da Exact Sales: fazer hoje pra faturar amanhã; resolver o problema da semana, partir pro próximo. Visceral.
Em algum momento comprei o barulho de que a gente não ia fazer software de CS pra vender pra RD um dia - a gente ia comprar a RD. Ser global. Dono do planeta. Tudo isso com um quadro societário sem nenhum herdeiro, ninguém com dinheiro no banco, porra nenhuma.
Uma vez um investidor perguntou se a gente não topava ficar sem salário por um tempo. Eu e o Vitor rimos na cara dele. Era ridículo, não tinha a mínima possibilidade.
A lição que ficou: o plano da empresa precisa caber no empreendedor que vai executar.
Daí vem minha neura de não dar um passo maior que a perna.
- A pergunta que o Bruno me devolveu
Perguntei pro Bruno: "imagina uma versão super agressiva da gente, tipo pegando R$ 10 milhões de investimento pra crescer. Não me vejo CEO de ‘costas largas’ o suficiente pra tankar isso."
Ele me devolveu duas coisas que chacoalharam:
- "Primeiro, não vejo assim. Eu acredito que você pode sim ser o CEO que toca essa empresa com 10 mi investidos. Basta correr atrás do teu desenvolvimento."
- "Mas a pergunta antes dessa é: o que vocês querem fazer? Pra onde querem ir? Qual é o plano real de vocês?"
E aí ele soltou a observação que impactou: depois que você troca de faixa algumas vezes, você percebe que é sempre a mesma coisa. Olha pra você do ano passado e pensa "nossa, como o problema de ontem era simples, o próximo é que é difícil”. Só que essa história é circular.
A faixa branca repetida me deu conforto. Mas também pode virar prisão se eu deixar o medo do passo maior que a perna virar limite.
- A pergunta que jogo pra vocês
Conto essa história toda porque tô feliz e orgulhoso desse reconhecimento do Bruno. Eu tenho me esforçado bastante (junto com todo o time) pra entregar o melhor pros clientes, pros colaboradores e pra ele como mentor, que investe um tempo sagrado nos ajudando.
Mas mais importante que o orgulho é a pergunta: quantos de vocês aqui estão vivendo a mesma história em outra escala?
Eu estava conversando com a Fernanda sobre como autocrítica pode limitar. Às vezes a gente vê alguém ganhando rios de dinheiro e se pergunta: “como ESSA PESSOA consegue?”. E às vezes é só coragem de tentar.
Enquanto alguns “sem noção” estão tentando, a gente fica só se criticando, duvidando de si mesmo e não faz. Não testa, não tenta.
E você?
O que eu levo pras férias
A reflexão que vou processar nestas duas semanas de férias é simples:
Volto das férias “faixa azul iniciante”. Não formado, não mestre, nada disso. Mas faixa branca eu não sou mais.
E faixa azul iniciante exige outra coisa - não é sobre trabalhar mais. É sobre postura. Mais profissionalismo, mais seriedade, mais criticidade. Outro nível de responsabilidade e comprometimento.
Convite simples: será que não tá na hora de você trocar de faixa também?
Tomara que esta carta seja útil pra você ou pra alguém. (me dá agonia essas egotrips do caralho)
Como sempre, conto com os feedbacks de vocês!
Mais um tijolinho na nossa construção,
Denófrio.
