Cartinha do CEO · API4COM

Cartinha do CEO

Edição 30/10/26André Denófriopra galera da API4COM
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Fala galera, beleza?

Mais uma semana, mais uma cartinha. Essa sai enquanto eu e o Diniz estamos no meio do caminho pra China.

E pela primeira vez ela vem em três línguas: português, inglês e chinês. O botão pra trocar fica lá em cima.

A gente ainda nem pisou na China e já tem o nosso primeiro parceiro chinês. Essa é a história dele.


01Entrar na casa dos outros

Desde que a gente começou a pensar nessa viagem, uma coisa não sai da minha cabeça.

A gente está indo pra um país muito diferente. Que não é a nossa casa.

Sabe quando a gente vê um gringo chegando aqui esperando que todo mundo fale inglês? Pois é. Agora o gringo sou eu.

🦈

Tem uma coisa que a Fernanda sempre comenta, e eu acho ainda mais poderosa. Quando alguém fala de ataque de tubarão, ela pergunta: como assim, ataque?

Pra ser atacado por um tubarão, tu tem que entrar na casa dele, na água dele. Quem está incomodando é tu. Por mais forte que ele pareça, ele estava lá no canto dele, sem mexer com ninguém.

Vale pra muita coisa que a gente não conhece. A ideia é desmistificar: a casa não é nossa, então pede licença e pergunta como é que é o rolê por lá.

Isso não quer dizer ir devagar. A gente quer aproveitar essa oportunidade, que é meio mágica, e ser o mais agressivo possível pra conectar. Só que com uma ordem de prioridade bem clara:

Uma vontade enorme de fazer dar certo, que só fica abaixo do respeito pela galera de lá.


0212 pastas, 3 dias

O autismo me obriga a me hiperpreparar pra tudo: criar cenário, fazer e refazer, ensaiar, ver o que dá pra fazer a mais.

Então quando chegou o material de apresentação da Tuya, a primeira empresa que a gente vai visitar, eu pensei: que legal que eles estão recebendo a gente. A gente devia levar pelo menos alguma coisa simbólica.

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Fui pesquisar com o Claude o que dava pra fazer, junto com estudar a cultura: o que é respeitoso, o que faz sentido, o que fica ruim ou inconveniente.

Uma das coisas que eu aprendi: lá é legal entregar as coisas com uma embalagem caprichada.

Só que eu já não tinha tempo de fazer do jeito que eu queria. Aí começou a corrida:

  1. Quarta, de madrugada

    Conversando com o Claude, veio uma ideia muito louca: e se a gente achasse empresas na China que pudessem entregar direto no hotel?

  2. WeChat, e-mail, o que desse

    Saímos adicionando fábricas e abrindo conversa com elas.

  3. A primeira resposta

    A Xiangsheng (翔升), uma pequena fábrica de papelaria em Pingyang. Ainda estou aprendendo a falar o nome direito.

  4. A honestidade

    Não dava tempo de produzir do zero, e eles falaram isso de cara.

  5. O jeito

    A Lin Xiaoshan (林小珊) achou no estoque uma pasta que servia e montou uma prova com a nossa logo. E ainda olhou o nosso desenho e disse: acho que fica melhor assim.

  6. Quinta, à tarde

    Embarque.

Atenderam a gente tão bem que eu pensei: vamos colocar um valor a mais pra agradecer esse trampo e essa urgência, num pedido feito praticamente de um dia pro outro.

💬 A resposta da Lin

Ela disse que ficou emocionada com o gesto, e que ia garantir que tudo fosse feito com o maior cuidado.

E ainda faltava imprimir a proposta que vai dentro de cada pasta. Meu plano era levar impresso do Brasil, e não deu.

Fui pedir socorro: vocês conseguem indicar alguém que faça isso? Ela não só se ofereceu pra fazer, como não quis cobrar.

Resultado: eu chego na China com tudo pronto, me esperando no hotel.

✈️Florianópoliseu e o Diniz
🏨Hangzhouo hotel, onde tudo se encontra
📦Pingyangas pastas e as propostas

03A aula que veio junto com as pastas

E tem mais uma camada nessa história. A pedido meu, a Lin leu as nossas propostas em chinês e avisou a gente de duas gafes culturais que a gente quase cometeu:

✗ No cabeçalho 谨呈

jǐn chéng. Um termo antigo, o jeito que um súdito se dirigia ao imperador. A gente ia chegar parecendo submisso demais.

✗ No fechamento 此致 敬礼

cǐ zhì jìng lǐ. O formato de carta de escolas e órgãos do governo. Ficaria estranho numa proposta pro Alibaba.

↓ no lugar, a Lin sugeriu ↓
✓ O padrão-ouro da carta comercial 顺祝商祺

shùn zhù shāng qí · algo como "desejo prosperidade aos seus negócios"

🎓

Ou seja: a gente achou que estava comprando pasta. E uma pequena fábrica de Pingyang deu uma aula de etiqueta de negócios e salvou a gente de pagar mico na frente do Alibaba.

Eu agradeci muito e a gente ajustou o texto. O que fica é isso: uma parceria baseada em confiança, e a gente aberto pra aprender com eles.


04O meu superpoder, calibrado

Tem mais uma coisa que eu acho interessante comentar.

📝 Um feedback que eu recebi, uns meses atrás

O jeito que eu me relaciono com as pessoas às vezes é subserviente demais. Elogioso demais, muito de baixo pra cima. E isso pode me fazer perder negócio.

O recado: te trata como igual, não fica te rebaixando.

O engraçado é que, no pouco que eu conheci da cultura chinesa até agora, parece que eu encontrei um lugar onde essa minha admiração cabe.

Ela pode parecer exagerada pra alguém. Pra mim, é genuína. Eu tenho que me controlar mais pra não elogiar do que pra elogiar, e não calculo elogio do mesmo jeito que não calculo crítica.

A cultura de preservar a face, de respeitar, de honrar o outro... pelo menos nessa parte, eu tô me sentindo em casa. E mais livre pra ser esse meu lado natural.

Mas olha a ironia: o primeiro puxão de orelha que eu levei lá foi justamente por me rebaixar demais.

O que a Lin corrigiu 谨呈

O súdito falando com o imperador. Era eu, versão súdito.

O que ela ensinou 顺祝商祺

Prosperidade aos seus negócios. Honrar o outro, de igual pra igual.

Então, pelo jeito, as duas coisas são verdade ao mesmo tempo: dá pra admirar de verdade sem se rebaixar.


05O grande acontecimento já está acontecendo

Uma coisa que a gente está levando muito forte na postura e na proposta: a gente não está com pressa de fazer negócio com empresa chinesa. Estudando, eu já entendi que não é assim que eles fazem negócio.

Mas olhando pra como o material ficou legal, pra estratégia, e pra como foi divertido, prazeroso e acolhedor trocar ideia com a Lin, eu pensei: o real é que a gente já fez o nosso primeiro parceiro chinês.

🤝Brasil · China Parceiro nº 1 na China Xiangsheng 翔升 · Pingyang outubro de 2026, antes de a gente pousar

Antes de pisar na China, a gente já foi bem recebido lá. Eu já chego me sentindo um pouquinho mais em casa. Acolhido.

E fico muito empolgado com o jeito que, pelo que me parece até agora, o povo chinês gosta de fazer negócio. Se conecta muito com o que eu acredito.

✏️ // A reflexão da semana

Às vezes tu tá se preparando pra um grande acontecimento. E o grande acontecimento já está acontecendo.

Vale olhar pro que tu está esperando lá na frente, e ver se ele já não começou.

Lin, e todo mundo que trabalhou com ela na Xiangsheng: muito obrigado. E um salve do time da API4COM aqui do Brasil pra vocês!

顺祝商祺como a Lin ensinou

🧱

Mais um tijolinho na nossa construção,
Denófrio.