Fala galera, beleza? Mais uma semana, mais uma cartinha.
A gente tá num momento legal como empresa.
O principal foco agora é alavancar o faturamento, pra gente conseguir oficializar contratações que a gente fez e ajustar salários que a gente gostaria de ajustar.
E isso vem através de três principais frentes que a gente já tá executando:
- Ajuste dos clientes subfaturados. É o CS que tá tocando. A ideia é que aconteça primariamente nas próximas duas, três semanas.
Na realidade sempre sobra algum rabicho mais pra frente, mas, a grosso modo, é nesse prazo que a gente resolve. - O produto de interface de IA. A ideia é lançar com um timing junto com o ajuste de preço, que é a frente aqui de baixo.
- O ajuste de preço. Vocês vão receber depois a comunicação sobre como vai ser.
No ano passado, quando a gente fez o último ajuste, isso já foi um dos saltos positivos que a gente teve no faturamento. Então a ideia é focar nisso de novo.
Ou seja: a prioridade máxima da empresa agora é esse aumento de faturamento.
São essas três frentes, além do trabalho normal que a gente já faz.
Quem vende, continua vendendo. Continua entregando as coisas, continua fazendo suporte, continua fazendo tudo o que a gente faz.
Isso pra que o feijão com arroz continue chegando, e pra que todo esse crescimento adicional seja um adicional mesmo.
Não pode ser só um aumento que vai tapar um buraco de outro lugar.
01O limitador de ser só espertinho
Mas o principal tema que eu gostaria de falar essa semana é inteligência.
E tem uma história muito marcante pra mim: a de quando eu costumo dizer que eu aprendi a pensar.
Eu sempre fui uma pessoa espertinha na vida. Mas eu acho que eu demorei pra virar alguém verdadeiramente inteligente.
E o que era alguém espertinho?
Era alguém que tinha um processador meio rápido, conseguia fazer umas contas de cabeça, conseguia processar informação relativamente rápido.
É uma coisa muito boa. Mas que pode ser confundida com inteligência.
No meu caso foi confundida mesmo. E virou, inclusive, um limitador meu por muito tempo.
Muitas vezes eu avancei menos do que eu deveria na minha jornada, na minha vida, na minha carreira, porque eu achava que eu era inteligente sem ser.
Eu contava em ganhar uma briga, em resolver um problema que eu não ia resolver. Porque eu não estava tendo humildade de reconhecer a minha ignorância, a minha burrice.
E aí, o momento marcante pra mim, em que eu aprendi a pensar, foi quando eu fui jogar um campeonato de Magic: The Gathering lá no Rio Grande do Sul.
Eu fui junto com um primo meu, que é um pouco mais velho e sempre foi uma referência muito grande pra mim.
E aí a gente foi se preparar, foi treinar pro campeonato. E treinar era isso: jogava a partida e, depois de jogar, parava pra analisar as decisões que a gente tinha tomado.
Por que tomou aquela, quais linhas eram melhores, quais decisões podiam ser melhores. A gente reavaliava o que tinha feito.
Quando a gente começou a fazer isso, nasceu inclusive um meme interno nosso, que faz tempo que a gente não usa: o "Porra, Dedé".
Era quando o meu primo ia perguntar por que eu tomei uma decisão e eu não tinha resposta.
Eu só fiz qualquer merda. Eu fiz a primeira coisa que veio na cabeça, porque a realidade é que eu não estava pensando.
O meu cérebro, que processava relativamente rápido, me vomitava uma ideia.
E a primeira ideia que viesse, independente da qualidade dela, era a que eu levava pra vida.
E aí eu aprendi uma coisa: criticar a minha própria ideia, testar ela na minha cabeça antes de testar na prática, refletir sobre ela e sobre as suas consequências.
Isso é que era, de fato, pensar.
02Chovendo no molhado: isso tem nome
A gente tem um vídeo no nosso onboarding sobre o Sistema 1 e o Sistema 2, e eu vou colocar ele aqui de novo, porque eu acho que nem todo mundo viu.
Ele explica perfeitamente esse fenômeno biológico.
Pra ter noção: o cara que escreveu o livro ganhou o Prêmio Nobel de Economia.
E por que de economia? Porque isso é economia comportamental, uma área que é a interseção entre economia e psicologia.
E a partir dali foi um processo longo até eu ir refinando a minha capacidade e as ferramentas que eu tinha pra criticar as minhas próprias ideias.
03A IA que aprendeu a pensar
Tem um análogo que eu gosto: o de quando saiu o lançamento mais famoso do DeepSeek, o Chain of Thought.
A cadeia de pensamento, que depois ficou conhecida como Reasoning.
Antes desse modelo, o que a IA fazia? Ela recebia um input, e a primeira coisa que viesse na cabeça dela era o que ela cuspia como output.
Qual foi a revolução? Ao invés de te dar uma resposta direta, ela criticava a própria resposta em etapas.
Ela pensava um pedaço, pensava sobre o que ela pensou e, assim que estivesse segura, avançava. Ia pensando numa cadeia de pensamentos.
Quando eu vi esse modelo, eu ainda mandei uma mensagem pro meu primo falando: "ó, fizeram uma IA que pensa que nem tu".
E essa modelagem foi um dos grandes saltos na capacidade das IAs.
E esse não foi um salto de poder computacional.
"Foi um salto metodológico. O jeito de fazer permitiu chegar a melhores conclusões."
04A mensagem que eu quero dividir com vocês
E aí, com tudo isso, chego naquilo que caiu a ficha pra mim agora:
Inteligência não é um talento. Inteligência não é capacidade de processamento. Inteligência é uma prática.
Uma prática no sentido de viver a vida preocupado com a qualidade dos pensamentos, com a qualidade das conclusões.
Com a conexão entre o que eu acredito e o que é verdade.
E tem uma coisa legal aqui. Pode parecer estranho, mas uma parte disso não é novidade pra gente como ser humano.
Lá na época da Grécia, Platão, Aristóteles e tal, a inteligência, a capacidade de pensar, era vista como uma virtude.
E o que é uma virtude? Virtude não é um atributo fundamental, desses que tu não tem controle nenhum.
Cada um aqui nasceu com um cérebro, e sobre isso a gente não tem controle. Não tem como eu ir lá e botar mais memória RAM no meu cérebro.
Mas, independente da memória RAM, da CPU, do que for: a gente pode ter uma memória boa com o método ruim ou uma memória ruim com o método bom.
Então aquela camada que os gregos colocavam ali, de pensamento como virtude, faz todo sentido.
Porque virtude é uma coisa que a gente escolhe praticar. Não é uma coisa chumbada, definida, finita.
É uma escolha que a gente faz todo dia.
Ou seja: às vezes a gente se limita a definições que outras pessoas ou que o mundo deu pra gente, de um jeito que a gente não precisa ou não deveria estar limitado.
"A libertação de hoje, na minha visão, é entender que a inteligência é uma prática. Ter uma postura inteligente que independe do processador."