Cartinha do CEO · API4COM

Cartinha do CEO

Edição 31/08/26André Denófriopra galera da API4COM
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Fala galera, beleza? Mais uma semana, mais uma cartinha.

Essa aqui é simples: duas notícias da API4COM e uma Weekly com o Vitinho para vocês darem uma olhada.

O foco continua o mesmo da cartinha passada: faturamento. Junto com ele, a gente começou a revisar a projeção financeira do ano.


01Chovendo no molhado: o foco é o faturamento

Nosso foco principal agora é o lançamento do IA4COM e o lançamento dos ajustes de tarifa. As duas coisas mexem no faturamento, e é nisso que a gente tá.

São duas das três frentes que eu listei lá. Repetindo o motivo, porque é o que dá sentido pro resto:

Faturamento é a nossa principal fonte de recurso. Tanto pra trazer gente boa quanto pra ajustar o que a gente precisa ajustar aqui dentro.

Ou seja: o reajuste não é um número que sobe numa planilha. É o que permite oficializar contratação e mexer em salário.

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E continua valendo: quem vende continua vendendo, quem entrega continua entregando, quem faz suporte continua fazendo.

O crescimento adicional só é adicional se o feijão com arroz continuar chegando.


02A projeção dos 12 milhões voltou pra mesa

Junto com isso, a gente tá refazendo e revisando a projeção financeira.

Então é possível que a gente mude um pouquinho a meta de 12 milhões. Mas isso vai requerer um trabalho de mais ou menos uma, duas semanas junto com as lideranças.

Pode ser que nem mude. Pode ser que no final a gente só mude o jeito que a gente acha que os 12 milhões vão aparecer.


03A Weekly que eu vou abrir pra vocês

Semana passada eu tive a minha Weekly com o Vitor. Achei a conversa rica o suficiente pra compartilhar com todo mundo.

É a call inteira, do jeito que ela aconteceu, com a gente discordando no meio.

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Quem tiver paciência, eu acho que vale. Pra quem não tem, um resumo abaixo.


04A IA quer te agradar, e isso te custa caro

Primeiro pedaço, do começo da call.

Todo LLM que a gente usa hoje é um autocomplete glorificado em cima de um treinamento. E aí vem a parte que quase ninguém leva a sério:

A prioridade máxima dela é te agradar. Ela não tenta te dar a melhor resposta, tenta te dar a resposta que agradaria o maior número de pessoas.

Ela tá tentando bater uma nota. O que na cabeça dela é uma boa resposta é a média do ser humano.

Isso vai na contramão direta da nossa filosofia. A gente se recusa a fazer coisa torta "só por que o cliente pediu", ela não. Concorda e ainda te elogia.

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E quando eu não estabeleço uma referência do que é bom e do que é ruim, eu tô à deriva.

Pra quem não sabe pra onde ir, qualquer coisa serve.

O que eu faço na prática são duas coisas, e as duas são chatas porque atrasam o que tu quer.

O pedágio

Prompt ruim vive na camada do faz. "Faz tal coisa pra mim." "Descobre isso pra mim."

Prompt bom paga um pedágio antes: "se eu quisesse fazer tal coisa, qual é o melhor jeito de fazer?"

Ela responde, eu leio, eu julgo, eu vejo se concordo. Aí eu digo "beleza, agora faz assim".

Parece perda de tempo. É o contrário: é a única hora em que eu consigo discordar dela antes de já estar com o trabalho pronto e errado na mão.

A referência

Antes de pedir a coisa, eu peço pra ela pesquisar boas práticas na web sobre aquilo.

Isso tira ela do treinamento e do contêiner de probabilidade em que ela ia responder. É quase um microtreinamento, e só de sair da média já melhora tudo.

Muitas vezes eu mando ela transformar essa pesquisa num documento e salvar no repositório. Por quê:

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Daqui pra frente, sempre que eu quiser julgar o meu trabalho, eu não quero julgar contra o treinamento dela.

Eu quero julgar contra a documentação que a gente levantou.

Foi exatamente assim com o MCP Server do Pipedrive. A primeira versão que eu fiz ficou um lixo: cavocava, cavocava, custo imenso e resultado zero. Aí eu parei e perguntei quais eram as boas práticas pra montar um. A segunda versão resolveu o problema.

E tem um detalhe que não dá pra pular: eu tenho que ler a referência. Não dá pra só delegar. Se eu não entendo minimamente o que tô fazendo, não tenho como julgar nada.

A última camada é a que a galera de IA chama de grounding: pedir evidência. "Traz a referência do que tu fez." "Me passa as URLs pra eu ir lá olhar." Só isso já muda o resultado de forma drástica.

É a mesma tecla que eu bati na cartinha passada, agora do outro lado da mesa. Lá era criticar a própria ideia antes de levar ela pra vida. Aqui é obrigar a máquina a fazer o mesmo.


05Nem todo problema pede análise

Segundo pedaço, e esse é o que eu mais quero que pegue.

A gente tava olhando uma conversão de funil. O número dava 55 num lugar, 58 no outro, 60 no outro. E a pergunta que eu fiz foi:

55, 58, 60 é tudo mais ou menos a mesma coisa pra conta que tu tava fazendo. Então essa análise toda te levou pra um lugar melhor do que a tua ignorância?

Se a resposta é não, é bem possível que não tenha valido a pena. E isso não é crítica ao Vitor, é crítica ao método, que é justamente o que eu quero desenvolver como cultura aqui.

Tem uma aula de física do ensino médio que me marcou: não existe número exato, a granularidade é infinita. A NASA não conta as moléculas do foguete pra ir pra Lua.

Ou seja, tudo tem margem de erro. E a pergunta certa não é "qual o número exato", é "mudar essa margem de erro muda alguma decisão minha?". Se não muda, buscar exatidão é dreno de tempo.

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Pra martelo, tudo é prego.

Se a gente cria um viés analítico, a gente começa a resolver com análise de dado problema que não deveria ser resolvido com análise de dado.

E aqui vem a parte desconfortável, que é a real razão pela qual isso acontece tanto:

É bem mais confortável ficar analisando o funil do que entrar numa call e cobrar a pessoa cujo funil tá torto.

A análise vira a camada "cremosa". Enquanto eu analiso, eu tô trabalhando, tô produzindo, tô com dado na mão. E eu não fiz a conversa difícil.

Naquele caso, falar com o time era um método de investigação muito mais eficiente do que a análise de dado. Mais rápido, mais barato e com mais chance de mudar alguma coisa.

Tem também uma hierarquia que a gente montou sem perceber, de que dado vale mais que intuição. Só que análise podre existe, dado mal fundamentado existe. Se uma análise pode ser falsa, então nem todo dado é confiável.

(Eu não tenho como trazer a riqueza dessa parte da conversa por aqui, essa vale ver no vídeo.)

Eu não uso um ou outro. Eu uso os dois juntos, e a intuição entra como fonte de insumo pra decisão, não como palpite de segunda categoria.

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O risco final é a gente cumprir a abstração pela abstração: não importa se resolveu o problema, importa se eu tiquei todos os itens do checklist.

Aí a gente faz análise porque tem que fazer análise. Tem que ter dado porque tem que ter dado. Pra quê? Porque tem que ter.

É o mesmo lugar onde eu queria chegar na cartinha de 24/07: eu sei seguir o playbook, ou eu sei vender?

E vale dizer: todo método tem o seu sacrifício. Não existe jeito sem custo. Existe escolher o custo com o olho aberto.

✏️ // Convite da semana

Paga um pedágio essa semana. Três, se der.

Assiste a Weekly, que é a parte que importa. Depois escolhe um ou mais destes:

  1. Antes da próxima análise: essa análise vai me levar pra um lugar melhor do que eu já estou sem ela? Se não vai, faz a conversa difícil no lugar dela.
  2. Na próxima vez que tu for pedir algo pra IA, não pede pra ela fazer. Pergunta primeiro qual é o melhor jeito de fazer, lê, julga, e só então manda executar.
  3. Antes disso, manda ela pesquisar boas práticas na web sobre o assunto. Compara essa resposta com a que ela te daria de cara.

Contem comigo. Eu conto com vocês.

🧱

Mais um tijolinho na nossa construção,
Denófrio.

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