Cartinha do CEO - API4COM - 05/06/26

Fala galera, beleza?

Mais uma semana, mais uma cartinha. Bora?

Essa foi uma semana daquelas: parece que um monte de peça mexeu de lugar ao mesmo tempo.

Voltamos do Scale IA com a cabeça fervendo; tivemos conversa boa com gente de fora; apresentação pra investidores/advisors; e mais algumas fichas caindo sobre IA, velocidade e foco.


O que está na minha cabeça?

  1. O Scale IA mexeu bastante com a forma como estamos pensando estratégia, mercado e futuro.
  2. O papo do abismo da IA está ficando cada vez menos teórico e cada vez mais tangível.
  3. A conversa com o Edu Maia trouxe uma provocação forte: em alguns contextos, ser rápido já nem é mais diferencial.
  4. A reunião com investidores e conselheiros foi boa - principalmente pelas críticas.
  5. Estou tentando encontrar o melhor jeito de trabalhar com essa velocidade toda e cheguei numa estratégia: hiperpriorização.
  6. Cada dia que passa, meu ceticismo em relação à IA se mostra errado de novo e de novo. A capacidade produtiva me surpreende toda semana.

Aprendizados da semana

  1. Velocidade importa muito, mas talvez ela seja só o primeiro degrau.
  2. Ser criticado por gente foda é maravilhoso.
  3. A velocidade de execução aumentou tanto que a priorização antiga não faz mais sentido.
  4. A pergunta “qual é a coisa de maior impacto que eu poderia estar fazendo agora?” precisa aparecer mais vezes no nosso dia.
  5. IA não elimina a necessidade de pensar; ela aumenta brutalmente o custo/risco de pensar pouco.

O abismo ficou mais concreto

Na segunda-feira, voltamos do Scale IA com bastante coisa pra digerir. Eu mandei no chat principal um vídeo explicando pra Liderança algumas das reflexões sobre estratégia, mercado e para onde a gente acredita que as coisas estão indo.

Reforço uma coisa:

O abismo que eu venho comentando nas últimas cartinhas já é super tangível.

Não é mais uma ideia abstrata de “quem usa IA vai sair na frente”. Cada conversa boa, cada experimento, cada avanço de ferramenta deixa mais claro a importância de estar do lado certo do abismo.

E aí entra uma conversa que tivemos na terça de manhã com o Edu Maia (o consultor que implementou o Lightdash pra gente). Ele trabalha com muita empresa gringa, vive um contexto bem avançado, e trouxe uma provocação que eu achei emblemática:

“Na minha realidade, fazer absurdamente rápido já deixou de ser diferencial. O diferencial já é quem acerta de primeira.”

Isso é forte.

Porque, pra gente, ser rápido ainda é um diferencial gigantesco. A nossa realidade ainda tem muito ganho em simplesmente tirar trava, reduzir cerimônia, parar de empurrar problema e resolver. Só que essa conversa mostra a direção pra onde os melhores estão indo.

Primeiro: o diferencial é produzir muito mais rápido.

Depois, quando todo mundo consegue produzir rápido, o diferencial vira pensar melhor: entender melhor o problema, direcionar melhor o projeto, reduzir retrabalho, evitar premissa torta.

Ou seja: não é velocidade ou qualidade de pensamento. É velocidade com qualidade de pensamento.


Ser criticado por gente boa é um privilégio

Também tivemos apresentação de resultados para investidores e conselheiros. Foi uma reunião muito produtiva.

Começamos a falar com mais clareza sobre a nossa tese de saída - no sentido de vender a empresa mesmo. Como isso pode acontecer, como devemos nos preparar, que tipo de empresa precisamos construir pro plano parar de pé.

Nossa tese foi duramente criticada.

Não era uma tese ruim no sentido de “sem valor nenhum”, mas era superficial, amadora. Para quem sabe o que está fazendo - e nesse caso Bruno e João sabem muito - ficou claro que ainda era um plano mole, sem embasamento suficiente, sem densidade.

Dói, mas a sensação boa de estar aprendendo com gente foda é tão superior que eu acho que estamos super no lucro.

Na minha trajetória, várias das maiores evoluções vieram quando alguém olhou pra mim, apontou onde eu estava errado, mostrou que o raciocínio estava fraco e me colocou em posição de crescer rapidamente.

Mais uma vez: super obrigado Bruno e João. O investimento de tempo e conhecimento de vocês na gente tem sido maravilhoso.

E pra todo mundo aqui fica o recado: a gente vai refinar essa tese. E refinar a tese impacta tudo - posicionamento, ICP, produto, narrativa, prioridades, planejamento. O vídeo de segunda segue valendo, mas tem muita coisa pra refinar e melhorar.


Hiperpriorização: um conceito que está nascendo

No meio dessa loucura toda, conversando com as lideranças, apareceu uma dor recorrente:

“Dá pra fazer tudo. Dá pra fazer tudo rápido. Dá pra fazer tudo ao mesmo tempo. Então o que eu faço?”

E isso me levou a uma palavra que ainda estou testando: hiperpriorização.

O modelo antigo era mais ou menos assim: a gente tinha uma lista de prioridades e ia andando um pouquinho com cada uma. Se uma travava porque dependia de alguém, a pessoa marcava uma conversa, esperava, ia pra próxima tarefa, depois voltava.

Isso fazia algum sentido num mundo complexo e cheio de interdependências; o risco era grande.

Mas nesse novo momento, esse modelo começa a ficar ineficiente. Porque a velocidade de produção tá absurda e a margem de erro tá super pequena (pra que pilota bem a IA).

A lição do Bruno do final do ano passado volta com força:

Como eu pego um projeto de três meses e resolvo em um dia?

Hoje, temos menos limitadores.

Então, pra mim, hiperpriorização é isso: eu posso até ter um backlog de coisas possíveis, mas minha prioridade real é uma coisa só. E, quando escolho essa coisa, sou agressivo pra resolver.

Se dependo de uma resposta, em vez de paralisar eu avanço com as premissas que tenho - ou paro todo mundo pra resolver.

Se preciso validar, valido rápido.

Não estou dizendo que colaboração perdeu valor. Pelo contrário: alinhamento bom ficou mais valioso do que nunca. Mas a dinâmica muda.

A pergunta deixa de ser “qual item da lista eu consigo tocar agora?” e passa a ser “que barreiras eu preciso derrubar pra conseguir atacar o meu item mais importante da lista?”

Muitas vezes a gente faz o que é conveniente. A coisa que alguém pediu. A coisa que já estava na rotina. A coisa que parece produtiva.

Mas será que é a coisa que mais coloca o negócio pra frente?

Será que é a coisa que mais gera impacto pro cliente?

Será que é a coisa que mais muda a matemática?

Essa é a reflexão que quero provocar.


O que eu fiz com IA essa semana?

Teve mais um salto importante nas ferramentas. Com os modelos mais novos, está ficando cada vez mais claro pra mim que várias discussões antigas sobre código feito com IA precisam ser revisitadas.

Durante algum tempo, uma preocupação legítima era:

E isso pode acontecer, claro. Principalmente se a pessoa só terceiriza a cabeça pra IA.

Mas, usando no dia a dia, minha impressão hoje é quase o contrário:

Código desenvolvido por IA, orientado por alguém que sabe usar IA e sabe pensar o problema, parece ser mais fácil de manter do que muito código feito “na mão” em modelos antigos.

O ponto continua sendo o mesmo das últimas cartinhas: IA é braço, não é cabeça.

Se você entende o que quer, sabe orientar, sabe revisar, sabe pedir explicação, sabe testar e sabe limpar, a capacidade fica absurda.

Inclusive, estamos começando a usar ferramentas pra encontrar código morto, entender aplicações e faxinar código produzido com IA. Isso é bem importante pro time de Produto, mas acho que a lógica vale pra todo mundo: não é só fazer mais coisa. É criar um jeito de fazer, revisar, organizar e manter.

O truque do HTML

Uma coisa prática que tenho usado e acho que pode ajudar muita gente:

Dentro de um projeto com IA, às vezes existem várias perguntas pendentes. Decisões demais pra responder no chat. Coisas do tipo:

O chat começa a ficar ruim pra isso.

Então tenho pedido pra IA criar um arquivo HTML com as perguntas, campos de resposta, caixinhas de seleção e, no final, um botão de “copiar resumo”. Eu respondo tudo no HTML e colo o resumo de volta no prompt.

Parece detalhe, mas muda bastante a transmissão de contexto entre a nossa cabeça e a IA.

Markdown (MD) é quase um arquivo em duas dimensões. HTML parece muito mais tridimensional: dá pra organizar, navegar, selecionar, responder e estruturar pensamento de um jeito melhor.

Acho que isso pode valer não só pra interação com IA, mas também pra documentação interna. Para a própria IA entender o que fez, por que fez, quais decisões tomou e o que ainda falta decidir.

Quem quiser entender melhor, me chama que eu explico. Mas quem já está usando IA com mais intensidade provavelmente vai sacar rápido o quanto isso facilita.


Convite da semana

Quero deixar um convite simples:

Antes de começar uma tarefa, para por alguns segundos e pergunta: “isso aqui é realmente a coisa de maior impacto que eu poderia estar fazendo agora?”

Se a resposta for não, talvez você esteja só ocupado.

Se a resposta for sim, aí entra a segunda pergunta:

“O que me impede de resolver isso hoje?”

Talvez a resposta seja menos sólida do que parece.

Talvez dê pra avançar mesmo sem todas as confirmações.

Talvez dê pra fazer uma versão, testar, mostrar, ajustar.

Talvez a trava seja mais costume do que realidade.

Seguimos na loucura boa. O abismo continua se abrindo. Trabalhemos pra estar do lado certo dele.


Contem comigo. Eu conto com vocês.

Mais um tijolinho na nossa construção,

Denófrio.

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