Cartinha do CEO - API4COM - 12/06/26
Fala galera, beleza?
Mais uma semana, mais uma cartinha.
Voltei das férias e a troca de faixa que a gente vinha comentando deixou de ser teoria. Pro tamanho de empresa que a gente chegou, a faixa nova passou de oportunidade pra necessidade.
Uma coisa que acontece muito nas minhas mentorias com o Bruno é ele esfregar o óbvio na minha cara. Fazendo uma conta simples pra ele me mostrar uma perspectiva que eu não tinha visto, apareceu a frase:
Se não ganharmos da matemática básica, não vamos ganhar de ninguém.
O avançado é o básico bem feito
Tive a sorte de trabalhar com muita gente massa e muita referência boa. Talvez o maior aprendizado que tive com essa galera seja esse: o avançado é o básico bem feito.
Eu e o João Selarim comentávamos isso direto: não tem nenhuma empresa super bem-sucedida, principalmente aqui no Brasil, cujo sucesso tenha vindo de uma coisa espetacular e diferentona.
Pra todo lugar que a gente olhava, o sucesso era fruto do básico bem feito.
E o sucesso vinha às vezes com um produto mais ou menos, do jeito que dava, cheio de problema - porque nenhuma empresa é perfeita. Mas todas as que deram super certo eram as que tinham o be-a-bá resolvido.
Então a provocação dessa semana é:
Qual é o óbvio que está passando despercebido por nós?
O que a gente poderia - e deveria - estar olhando de um jeito diferente?
(e não olha porque se deixou levar pela complacência, pela mesmice, pelo "as coisas são assim mesmo")
É fácil de cair no "ah, é difícil mesmo, não tem muito o que fazer" - e, sem perceber, a gente acaba se desresponsabilizando.
O poder do óbvio (alguns exemplos)
Vou dar exemplos práticos porque eles mostram bem a força de coisas óbvias.
Na camada de liderança - por incrível que pareça, no nível que a gente tá - teve reclamação de mensagem de um pro outro ficando no vácuo. Se isso acontece na Liderança, eu chuto que acontece na Operação também.
E não faz sentido (do jeito próximo que a gente é). Alguém mandar uma mensagem num dia, virar o dia e, no dia seguinte, ainda não ter resposta?
Todo mundo concorda que é óbvio responder - pelo menos até o meio do dia, ou o quanto antes. Mas já faz duas, três semanas que falamos sobre isso e o problema continua.
Não é indireta. É um desalinhamento cultural.
Até porque, pra isso continuar acontecendo, tem gente normalizando o comportamento.
Se ninguém aceitasse isso como normal, não viraria normal.
O processo existe pro resultado - e não o contrário
A mensagem é outra: muitas vezes a gente trava num "qual é o processo?" quando a real é dar um passo atrás pro óbvio.
- "Tenho um problema pra resolver, mas qual é o processo?" → Foda-se o processo. O que tem que ser resolvido? Vou resolver, vou fazer o que tem que ser feito.
- "Me perdi na lista de tarefas e deixei o mais importante pra trás." → Pra que serve a lista? Pra priorizar o que importa. Se não tá priorizando o mais importante, ela não tá funcionando.
- "Uma coisa foi resolvida de um jeito que não fez sentido pra mim." → Então por que eu não chamei a pessoa na sala e conversei?
E aqui um causo que me marcou. Quando eu era gerente de RH na Simples Dental, num 1:1 a pessoa me disse:
"Passei por uma situação com fulano. Tá ruim, precisa melhorar."
Eu perguntei:
"Como assim? Por que você ainda não conversou com a pessoa?"
A resposta:
“Tem que ver, é complicado.™”
Falei: "então vamos resolver agora." Chamei a outra pessoa na sala: "Conta aí o que rolou."
Em cinco minutos as duas resolveram o que tinha pra resolver. Quando a pessoa saiu, voltamos pra 1:1 e ela falou: "caralho, como era simples - era só a gente sentar e conversar."
Meu objetivo não é encher o saco de ninguém. É só relembrar o poder do óbvio.
Chovendo no molhado: o abismo da IA
Sou obrigado a bater de novo nessa tecla. Saiu mais um modelo novo do Claude e eu volto a dizer: tem um abismo se abrindo. Tem gente que vai ficar de um lado e gente que vai ficar do outro.
E a cada semana a minha percepção de onde estava "a linha do impossível" precisa ser redesenhada.
Conversando com o Fadel essa semana, saiu uma ideia que acho que pode ser útil pra todo mundo.
A pergunta clássica é: "tá, mas onde eu vou arranjar tempo pra enfiar IA no meu dia a dia?"
A forma que funcionou pra mim foi transformar as coisas importantes que eu já tenho pra fazer numa desculpa pra explorar IA no dia a dia.
Assim eu consigo estudar enquanto faço o meu trabalho.
Exemplo: tenho um relatório pra entregar. Beleza - uso esse relatório como desculpa pra explorar os limites da IA. O que dá pra fazer, o que não dá, como pode ser, como não pode.
Foi assim que eu aprendi pra caramba esse ano.
// Convite da semana
Escolha uma tarefa importante dessa semana e use ela como desculpa pra inserir IA no seu trabalho.
Não precisa virar projeto, não precisa gerar plano. O objetivo é explorar o limite e aprender fazendo.
A mensagem principal, galera, é essa: trocamos de faixa. Eu sei que dói. Minha crença genuína é que tá valendo e vai valer a pena. Conto com vocês.
Mais um tijolinho na nossa construção,
Denófrio.
